Livre Criação
Veneza
Veneza
Viajar até Veneza foi como entrar num filme antes mesmo de começar a gravar. As ruas estreitas, os reflexos dourados da água e o silêncio interrompido apenas pelo deslizar das gôndolas criavam um cenário que parecia já ter sido escrito por alguém muito antes de mim.
Foi ali, entre pontes antigas e praças cheias de história, que dei vida ao meu próprio filme. Cada esquina oferecia um enquadramento perfeito, cada pôr do sol pintava a cidade com uma luz impossível de recriar. Não era apenas um projeto — era uma experiência. A cidade tornava-se personagem, cúmplice, inspiração.
Houve momentos em que me esqueci da câmara e simplesmente vivi. Porque Veneza tem esse poder: mistura realidade e ficção até já não sabermos onde termina uma e começa a outra. E talvez seja isso que ficou no filme — não só imagens, mas a sensação de ter feito parte de algo intemporal.
Quando parti, levei mais do que cenas gravadas. Levei memórias que continuam a rodar, como um filme que nunca acaba.